domingo, Fevereiro 27, 2005

Do outro lado

Lá longe estás
Do outro lado do Oceano.
Não és meu, não queres saber
E, no entanto, não me sais da cabeça.
Não me interessa que gostes de outra
Gosto de ti e só de ti.
E será sempre assim
Mesmo que a eternidade não exista.

quarta-feira, Julho 14, 2004

Desilusões

Trabalhamos.
Estudamos.
Escutamos.
Manhãs, tardes passadas à sobra de quatro paredes.
Um sábio desce por momentos do seu pedestral. Verborreia de conhecimentos que só ele conhece.
Não apreendemos. Não compreendemos.
Mas tentamos.

Conseguimos. Entendemos os desígnios do sábio.

Não nos serve de nada.
O sábio é cruel.
Tudo o que nos espera é um R.

terça-feira, Julho 13, 2004

Manifesto pela surdez

Surdos. Todos surdos.

Uma Porta Férrea percorrida por plásticos. Uma praça de uma República mal conquistada.
Soturnos, revelando um sorriso, como quem troca a musa do Absinto pela futilidade de um fino.

Surdos. Todos surdos.

Como uma ponte inacabada que une duas margens que não se salvam. Um manifesto. Uma mão aberta. Cinco dedos. Cinco impérios. Um sonho. Coimbra não morre.

Surdos. Todos surdos.

Um Agosto. Só e frio. Inanimada.
Um Outubro. Novos e fervilhantes glóbulos vermelhos.
Um luto eufórico de Maio. Lágrimas de uma despedida.
Uma viagem sem nau. Uma viagem sem Norte. Ou Sul. Um ponto entre duas linhas.

Surdos. Todos surdos.

Um eco surgido antes do grito. Nova Dinastia de uma geração rasca. Cacos de porcelana de látex made in Taiwan.
Peças de um puzzle perdido.
Rasgando um pano, rasga-se uma vida. Farrapos de um passado comum.

Surdos. Todos surdos.

Essência não conhecida. Essência não alcançada.
Ditirambo não tocado. Véu de Maya não desvelado. Acordes mal ensaiados de uma solidão de marionetes de gente.
Quinto Império.
Utopias.

Surdos. Todos surdos.